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domingo, 10 de outubro de 2010
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro
nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um
ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes
verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um
aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A minha empresa...e você, já sorriu hoje?
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço de que minha vida
É a maior empresa do mundo…
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
Se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
Um oásis no recôndito da sua alma…
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “Não”!!!
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta…
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Sei que não é boa altura para empreender, fundar uma empresa, em tempos de crise...mas se eu não investir em mim, quem o fará? Pois bem sei...NINGUÉM! E eu quero crescer, não quero falir.
Quando as coisas me caem em cima fico assim um pouco atordoada, depois, vem o tempo da acção, de dar a volta por cima e lá vou eu!
Hoje falei com um amigo...(é estranho ser analisado do exterior) ...esse amigo já me disse várias vezes, que por vezes pareço planar sobre o comum dos mortais, com a arrogância da minha genuína alegria. Arrogância é mau, mas percebi o que queria dizer. Há alturas em que não é de todo conveniente expor boa disposição, saúde e vontade de viver...sorrir é pecado em tempos de crise. Perguntei-lhe se achava que deveria ser mais contida na minha expressão de alegria, no sorriso do dia a dia, traduzida (olhem que não é todos os dias). Disse que não, que o punha bem disposto, porque era contagiante...e fiquei feliz...a minha empresa, está no bom caminho! Procuro sócios e partilho dividendos... Contenção?, não faz parte do pacote!!!!!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Também estou a pensar ir...
Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada
Vou-me embora para Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe d' água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora para Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilzação
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Por vezes tenho a mania de oferecer poemas a quem amo. Este tenho-o guardado dentro de mim e é meu, para mim...neste momento, é para lá que quero ir. Não deve ser deste mundo este país, cada um de nós tem PASÁRGADA dentro de si.
É para lá que vou comprar bilhete, num voo que tem retorno marcado...na hora a que todos nós somos chamados à realidade. Pasárgada, não é um destino, é uma viajem para uma ilha, que faz com que todos os homens e mulheres sejam ilhéus dentro de si, desconhecido dos outros...
por mais que eu os ame.
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada
Vou-me embora para Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe d' água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora para Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilzação
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
-Lá sou amigo do rei-
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Por vezes tenho a mania de oferecer poemas a quem amo. Este tenho-o guardado dentro de mim e é meu, para mim...neste momento, é para lá que quero ir. Não deve ser deste mundo este país, cada um de nós tem PASÁRGADA dentro de si.
É para lá que vou comprar bilhete, num voo que tem retorno marcado...na hora a que todos nós somos chamados à realidade. Pasárgada, não é um destino, é uma viajem para uma ilha, que faz com que todos os homens e mulheres sejam ilhéus dentro de si, desconhecido dos outros...
por mais que eu os ame.
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