sábado, 18 de setembro de 2010

O poder do sonho e dos desejos.

‎"O que mais me doi na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do sonho de serem outros.
Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes."
Mia Couto

   A miséria pior que se possa imaginar, é a que prega definitivamente ao chão e nos deixa a chafurdar na lama,  aquela que cala, impede o Homem de se elevar e de se realizar na sua plenitude...
Sonhar e desejar são de facto uma riqueza inestimável. Somos ricos dos nossos desejos e sonhos.
   Essa riqueza só é possivel quando vemos preenchidas as nossa necessidades básicas de alimentação, paz e segurança, conforto, amor e saúde. Como sonhar, se não há pão? Como sonhar, quando se deve lutar e sobreviver? Como sonhar, se não se sabe onde se vai dormir e se tem frio? Como sonhar, se se está só ou doente?...O que se pode desejar?

   Andei às voltas com um texto que me deixou de cabeça às avessa ... virtualmente, fiquei plantada, em cima de uma cadeira, com as minhas dozes passas na mão, a ouvir os som das doze badaladas ,a retinir nos meus ouvidos...sem saber o que pedir. Teria que pedir algo que não tenho, ou pedir mais do mesmo?

   O que quero desejar para mim, para quem amo e para todos em geral?
Que peço a todos os profissionais dos Desejos e Sonhos & Lda (Pai Natal, Menino Jesus, Génio da Lâmpada, fadas madrinhas e tutti quanti confundidos), quando eles me aparecerem?

   Desejar, sonhar...conservar essa capacidade e essa possibilidade.
Porque no dia em que nao terei mais desejos, no dia em que não sonhar, serei muito pobre e terei perdido a minha essência.
Enquanto somos ricos dos nossos desejos e sonhos, temos algo de infinitamente precioso para dar.

   E depois...ainda existe a miséria da ignorância, mas isto será motivo para outro textito...




Dai-me asas!

 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Crime e Castigo...

Olho aterrada para o papel prata, à minha frente, e não acredito no que vejo...acabo de assassinar meia placa de chocolate, à dentada. Podia invocar a necessidade de terminar uma mísera metade de tablete, por medo de que passasse da sua data de validade...Ninguém acreditaria em mim e passaria por mentirosa.

Que verdadeiras razões se escondem  por detrás deste gesto reprovável e horrendo? Passada a fase em que fiquei estarrecida por esta recaída compulsiva...pensei no meu dia, ou melhor na metade que já passou. Nada, nada se passou que explique racionalmente este gesto inconsiderado, nada.

E talvez seja isso, NADA...Aqueles quadrados saborosos, nem derreteram na boca, foram devorados e o mesmo vazio ficou. Não vieram preencher nada e apenas me deixaram um peso na consciência, mais umas gramas no rabo e mais um pouco de colesterol talvez.

Logo, quando vierem as pequenas, vão perguntar pelo chocolate, e o que direi?
Nao posso dizer que o comi, depois de estar constantemente a pregar que se devem comer doces com moderação e perseguir a gula, como se de uma cruzada, um auto da fé se tratasse, sem dó nem  piedade...meu Deus, que fiz eu!

Sou uma menina má, vou direitinho para o inferno...mas, pensando bem...talvez vá de qualquer forma.
Será que nos caldeirões infernais, há chocolate quente? Mnham!!!!! e se se o Diabo valer a pena...e for jeitoso, então estarei no paraíso!!!!



Já se nota alguma coisa? :-)

sábado, 11 de setembro de 2010

Estado de urgência...relativa

Hoje, preciso que me dêm corda aos sapatos
Hoje, preciso que me façam uma massagem cardíaca
Hoje, preciso de socorro
Hoje, preciso de uma garrafa de oxigénio
Hoje, preciso de um electrochoque
Hoje, preciso de colo
Hoje, preciso que me dêm asas para voar
Hoje, preciso de um trampolim
Hoje, preciso de muletas ou quiçá de um par de patins
Hoje preciso de um penso e de ligaduras
Hoje, precisei...preciso, precisava...oh, mas ainda bem, que já é amanhã!...e já não quero nada disso.

Vou vestir uma armadura de samurai, por baixo do meu quimono de gueixa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quem não me conhecer, que me compre!

Sentido obrigatório

Sou BOA!! Não acreditam?

Bem, primeiro estou a tentar convencer-me a mim própria, e só depois virá o trabalho de marketing pessoal. Será que me conheço bem o suficiente para colocar em evidência o que tenho de positivo e melhorar o menos bom?
A ver vamos...

http://mktportugal.com/blog/?p=2360

Porque eu quero poder continuar a ser professora.




  Há dias assim, dias assim-assim e dias não. Todos os têm, pois claro…nem digo que não.
Mas eu tenho dias em que a minha vida passa sem mim e esta ausência da minha vida é frustrante.
Não quero esta vida minha, sem mim. O que significa este tempo que passa e eu não estou? Este tempo fora.

  Há dias em que passo os portões da minha escola, que cada vez sinto menos minha, às 8h15….e o tempo passa, corre e acaba. Por vezes acaba tão tarde e volto a passar o mesmo portão em sentido contrário, doze horas depois. O único sinal da minha passagem por là, ida e volta, é o toque que pontua entradas e a saídas. Passei lá o meu dia, doze horas da minha vida, a fazer o quê?

  Pois bem, alguns poucos dirão que estive talvez a trabalhar, talvez…

  Porque  até eu , por vezes duvido…

  Quando comecei este trabalho, eu não o via assim, não me sentia assim e é assim que eu não o quero ver.

  Passo muito pouco do meu tempo com os meus alunos, a ensinar-lhes.
  Passo muito tempo a preencher papelada e a contribuir para alimentar a máquina burocrática. Passo muito tempo a contribuir para a desflorestação e em reuniões.

  Quando dou por mim é porque tenho fome e sono e estou cansada. Só nestes momentos tenho consciência de mim. Estarei sob o efeito de alguma anestesia?

  Quando  me falam em avaliação, até me dá vontade de rir. Nem percebo o que pretendem de mim…Estarei apta a dar convenientemente 3 aulas por ano e preencher outros tantos formulários? Depois de anos a fazê-lo, dou por mim a não saber fazer o que sempre fiz…

  E depois desta avaliação que não poderá ser outra que muito boa…porque terei gasto as pestanas a fazer os planos de aulas, que tanto vão beneficiar os meus alunos e fazê-los crescer, os objectivos que irão enriquecer a comunidade, que nunca voltará a ser a mesma e  a revolucionar a escola?
  Depois, dir-me-hão que nao tive muito bom ou excelente porque não, porque explodi com as percentagens disponíveis e que nâo havia para todos. Mérito, por aqui se desconhece.

  Como será a avaliação que as minhas filhas farão de mim?
Péssima, porque terei abdicado delas e do tempo que lhes devo para servir ninguém, numa absurda burocracia inútil.
Inútil, é como me sinto.
  Nos dias em que elas estiverem doentes…não poderei ficar com elas. Até as vou mandar para a escola, ainda débeis, se for possível. Irão contaminar os filhos dos outros, e preferência, os filhos dos que podem ficar com eles.
  Uma, tem a infeliz ideia de ter mais do que 11 anos e a outra tem o mau gosto de frequentar um pediatra que não trabalha para o SN de saúde e não tem contrato com a excelente ADSE.…
  Um dia despedem-me com justa causa…
Carinhos à pressa com hora marcada. Sim porque tenho que corrigir testes ou fazê-los. Idas ao cinema…nem pensar, porque me sinto culpada por não estar a trabalhar, ficarei a pensar nos filmes que poderia ter visto.
E se os meus pais adoecem…paciência! A culpa é deles…quem lhes mandou incentivar alguém a ser professora?!

  Professor…tem família?...tem amigos?...lazeres?...pode ter, só não é possível…ter tudo ao mesmo tempo…. um bom trabalho (bem pago...) e uma vida pessoal equilibrada.
O que vale, é que tenho um montão de férias…ah, pois é!
Mas isto é aqui para nós, que ninguém nos ouça.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

SOUdades ?


Hoje, saí de casa como habitualmente, para caminhar. Invoquei alguém que não veio, e pelo caminho, tropecei em mim.


Bateu-me uma saudade bem grande de mim.

Saudade do dia em que luzi e me aconteci ,

Saudade de quando eu era só e apenas EU,

Saudades de quando sonhava quem eu seria,

Saudades de quando reflectia sobre o que seria,

Saudades da época em que eu julgava saber quem eu era.

Um dia marco um encontro comigo…e tomo um café.